
A Câmara não pode ser gerida num ambiente de promiscuidade entre a política e os negócios.
No passado dia 6 de Abril e neste espaço de opinião, assumi que era candidato a presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos!
Entre outras razões porque conheço razoavelmente bem as grandes carências que continuam a afectar este Concelho e as suas cinco Freguesias, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista social.
Por outro lado, porque tenho plena consciência do que é necessário e possível fazer mais e melhor para ultrapassar essas dificuldades.
Assumi, claramente, essa candidatura numa altura em que ainda não era conhecido o meu principal adversário político na corrida eleitoral.Hoje, conhecido que é o candidato do PSD, Arlindo Gomes, actual presidente, responsável por um mandato desastroso e com consequências nefastas, quer para a economia do Concelho, quer para o bem-estar das famílias câmara-lobenses, sinto ainda maior responsabilidade e vontade de trabalhar, dando o meu melhor, para a tão necessária mudança política neste Concelho a 11 de Outubro.
O actual presidente e recandidato pelo PSD criou, ao longo destes oito anos de mandato, uma teia de interesses que serviu e beneficiou, particularmente, um pequeno grupo de amigos e não a generalidade dos munícipes como era seu dever e como seria expectável, não apenas por parte de quem nele confiou o seu voto, mas também por parte de todos aqueles que escolheram Câmara de Lobos como local de residência, de trabalho ou de investimento.
Foi um presidente que não dialogou, que sempre recusou ouvir as reclamações do povo, que raramente recebeu o munícipe comum, que blindou a porta do seu gabinete, não fosse algum munícipe mais atrevido apresentar sem marcação as suas reclamações.
Um presidente que, raramente, entrou ou saiu pela porta principal da Câmara Municipal. Foi ainda um presidente que, em perfeita cumplicidade com o seu arquitecto, fez esperar e desesperar pela aprovação de um projecto de habitação familiar de centenas de munícipes que nalguns casos nunca obtiveram uma resposta positiva.
Foi também um presidente que, quando colocado perante a decisão de alguns grandes projectos de investimento público e sempre que havia mais do que um concorrente, não hesitou em optar pelo seu próprio favorecimento ou pelo favorecimento do seu grupo de interesses.
Este presidente e recandidato pelo PSD, independentemente de alguma obra feita, fruto de meios financeiros de que os seus antecessores não tiveram ao seu dispor, não merece ser reeleito. Não foi transparente na sua actuação e não deu provas de ser um bom gestor do interesse público.
O exercício do poder, nesta circunstância, do poder autárquico, deve ser encarado com espírito de missão, de serviço à causa pública e não como um meio de aproveitamento pessoal.
A Câmara não pode ser gerida num ambiente de promiscuidade entre a política e os negócios. Comigo, isso nunca acontecerá!
Para os munícipes de Câmara de Lobos chegou o tempo de não perder tempo, chegou a hora da mudança, está nas suas mãos eleger um presidente que governe e decida a favor do bem comum sem pensar em interesses pessoais ou individuais.
É possível fazer mais e melhor! Basta os câmara-lobenses votarem de forma racional, dando, assim, eficácia ao seu voto no próximo dia 11 de Outubro.
João Isidoro










